terça-feira, maio 30, 2006

JARDIM 9 DE ABRIL

Em Lisboa, mesmo ali de braços abertos para o Tejo, à Rocha do Conde de Óbidos, "9 de Abril" é o nome de um pequeno jardim panorâmico, às Janelas Verdes.
O topónimo lembra-nos uma data trágica associada à participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial - a batalha de la Lys. A tragédia fica-se pela invocação, porque o lugar reune o melhor de Lisboa. Um espaço verde rodeado de tradição, aberto ao rio e aos navios, com a Margem Sul imponente a esconder Almada.
Para mim este espaço foi sempre o Jardim da Rocha. De mão dada ao meu querido Pai. Tantas vezes. Aos Domingos, viamos os navios, numa perspectiva privilegiada da doca de Alcântara, então repleta de navios, maioritariamente portugueses.
Havia sempre um dos grandes paquetes da Colonial, o SANTA MARIA, o VERA CRUZ ou o INFANTE DOM HENRIQUE, entre tantos outros. O FUNCHAL e o ANGRA DO HEROÍSMO, da Insulana, atracavam mesmo em frente durante as estadia entre viagens às Ilhas. Mas havia muitos mais, como os gémeos FUNCHALENSE e MADEIRENSE, com chegada marcada todos os Domingos, carregados de bananas. O ritual dos Domingos não se ficava por aqui. Faziamos apostas adivinhando o número de carruagens dos combóios da então Sociedade Estoril que passavam lá em baixo, na linha de Cascais.
O Jardim ainda lá está, rodeado de palácios e navios. Como o que se vê atracado na estação marítima da Rocha, o SAGA ROSE, que data de 1965 e foi inicialmente o SAGAFJORD da Norwegian America Line. Um paquete clássico a lembrar os grandes navios da Colonial e as muitas saudades associadas ao Jardim da Rocha.

Texto e fotografias de Luís Miguel Correia - 2006

2 comentários:

zeni disse...

Então é desses passeios que vem a tua fascinação pelos barcos! :)

LUIS MIGUEL CORREIA disse...

Sim, entre muitas outras coisas. Houve uma época em que o Jardim da Rocha era o refrigério depois da missa dominical. Obrigatória. Hoje mantenho-me mais fiel ao jardim, que já lhe sinto o cheiro do paraíso...

Miguel