sexta-feira, setembro 22, 2006

ESTAÇÃO MARITIMA DE ALCÂNTARA

Custou a bonita soma de 5000 contos em 1943 e foi apresentada como "um marco de civilização", inserindo-se no surto de óbras públicas do Estado Novo sob a égide de Duarte Pacheco. É um dos edifícios mais bonitos da beira-Tejo: a estação marítima de Alcântara, construída durante a segunda guerra mundial segundo projecto de Porfírio Pardal Monteiro, que concebeu também a estação da Rocha do Conde de Óbidos, construída a seguir à de Alcântara e menos rica, com apenas um átrio. Estas nossas Gares Marítimas denotam uma forte influência estética da estação marítima de Nápoles, edificada anos antes, com uma monumentalidade muito superior.
O projecto contemplava a ligação das duas estações pela varanda, havendo estações complementares mais pequenas entre as principais que não vieram a ser construídas, uma vez que a ideia era o cais de Alcântara à Rocha ser destinado aos navios de passageiros.
Na realidade manteve-se o entreposto de Alcântara Sul, seguido do cais da Companhia Colonial de Navegação, mesmo junto à Rocha. Depois vieram as reconstruções da muralha e o aumento da área de cais e terraplenos, e a estação de Alcântara está cada vez mais ameaçada de isolamento do rio por uma muralha de contentores, com a vizinha Liscont a querer estender a sua concessão para juzante. O aumento de visitas de navios de cruzeiros a Lisboa tem garantido uma utilização regular do edifício, embora já tenham sido efectuadas muitas alterações que diminuiram a funcionalidade da Gare Marítima. E parece haver quem queira pura e simplesmente encerrá-la. A bem da contentorização...
Fotos e texto de Luís Miguel Correia - 2006

1 comentário:

Estrela Cadente disse...

Era desta Estação que os paquetes partiam para Angola em 1948? Nunca fui lá dentro, tenho visto sempre de fora, mas gostava de saber, de que estação partia o paquete Quanza nas viagens para o Ultramar.
É muito interessante o seu blog.